Li a mais recente reportagem da McKinsey e acho que o setor de fintech realmente entrou numa fase de viragem. Se na era passada o crescimento era ilimitado, agora parece que estamos na Quinta Era, onde a rentabilidade e a conformidade regulatória são essenciais, essa expressão parece mais precisa.



A parte mais impressionante é a previsão do tamanho do mercado. Este ano, o mercado global de fintechs está avaliado em 650 bilhões de dólares, e até 2030 deve atingir 2 trilhões de dólares. Uma taxa de crescimento 3,5 vezes maior do que a dos bancos tradicionais, o que é realmente extraordinário. Atualmente, representa apenas 4% de todos os serviços financeiros, o que indica um potencial de crescimento enorme.

Por regiões, a América Latina está crescendo mais rápido. Cresceu em média 40% ao ano nos últimos cinco anos, especialmente no setor de empréstimos, que aumentou 50% ao ano. Por outro lado, a América do Norte já é o maior mercado, com 310 bilhões de dólares, expandindo-se nos segmentos de mercado de capitais e seguros. A região Ásia-Pacífico mostra sinais de desaceleração devido às regulações.

Os quatro principais tendências destacadas no relatório da McKinsey são: primeiro, o papel predominante da inteligência artificial. Os ciclos de desenvolvimento de produtos estão sendo reduzidos de anos para semanas, e serviços como consultoria de gestão de ativos acessível estão se popularizando. Grandes empresas estão se integrando de forma a atuar como intermediárias, o que é bastante interessante.

A segunda tendência é o crescimento dos ativos digitais. A previsão é que o valor de emissão de stablecoins, atualmente em 300 bilhões de dólares, cresça para entre 2 e 4 trilhões de dólares até 2030. O volume de transações anuais é de 35 trilhões de dólares, mas apenas cerca de 1% é usado para pagamentos reais, o que mostra que o mercado ainda é centrado em negociações e arbitragem. No entanto, o uso real em remessas internacionais, pagamentos entre empresas e no mercado de capitais está aumentando.

A terceira tendência é a competição por licenças bancárias. Só nos EUA, este ano, houve 21 pedidos de novas licenças. O tempo de processamento caiu 40%, o que indica uma redução nas barreiras de entrada. Contudo, após obter a licença, as empresas enfrentam regulações mais diretas, e a avaliação de valor de mercado pode passar de múltiplos de empresas de tecnologia para múltiplos de bancos tradicionais, o que é um ponto importante.

A quarta tendência é o crescimento acelerado do fintech B2B. Em vez de oferecer serviços diretamente ao consumidor, muitas empresas fornecem software e infraestrutura para instituições financeiras tradicionais, representando 13% da receita do setor. No setor de insurtech no Reino Unido, essa participação cresceu de 25% em 2021 para 91% em 2024, uma mudança extremamente rápida.

Seis fatores impulsionadores do crescimento futuro, segundo a McKinsey, são: infraestrutura de ativos digitais, agentes de IA, infraestrutura de dados, gestão de ativos baseada em IA, insurtech horizontal e infraestrutura de identidade e confiança. Especialmente, a camada de autenticação de identidade e conformidade regulatória deve resolver problemas de redundância que consomem muito dinheiro.

As empresas bem-sucedidas compartilham, no fundo, uma combinação de economia, confiança, qualidade de produto e capacidade de conformidade. Como a própria McKinsey destacou, as barreiras tecnológicas estão diminuindo, mas as barreiras de modelos de negócio estão aumentando. Não basta melhorar a interface, é preciso avanços revolucionários em custo, velocidade e gestão de riscos.

Para mim, a maior lição deste relatório é que a indústria de fintech entrou na fase de maturidade. Não dá mais para atrair investimentos apenas com histórias interessantes e capital. Agora, a diferenciação vem da rentabilidade real e da capacidade de conformidade regulatória. As instituições financeiras tradicionais estão percebendo isso e ampliando seus investimentos em tecnologia, enquanto as fintechs buscam obter licenças bancárias para garantir uma vantagem competitiva de longo prazo. No final, essa indústria não é mais uma competição de força bruta, mas uma fase de crescimento sustentável baseada em regras e confiança.
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