Recentemente, observei um avanço significativo na legislação de stablecoins nos Estados Unidos, e sinto que o impacto dessa questão na indústria de criptomoedas está sendo subestimado.



Senadores do Partido Republicano e Democrata finalmente chegaram a um acordo na semana passada sobre a proposta de lei de clareza do mercado de ativos digitais, incluindo a cláusula mais controversa sobre os rendimentos de stablecoins. Essa disputa, que começou no início deste ano, envolveu a Casa Branca, grupos de lobby bancário e toda a indústria de criptomoedas, e agora finalmente teve um desfecho.

Qual é o núcleo do novo plano? Simplificando, proíbe provedores de serviços de ativos digitais de pagar juros ou rendimentos diretamente por manter stablecoins dos clientes. Mas há uma exceção crucial — recompensas baseadas em atividades ou transações reais não são restritas. Ou seja, desde que as recompensas estejam vinculadas ao uso específico pelo usuário (como pagamentos, transferências, market making, staking, votação de governança ou programas de fidelidade), as plataformas podem continuar a distribuí-las. Além disso, o valor das recompensas pode ser calculado com base no saldo, no período de retenção ou na fidelidade, oferecendo bastante flexibilidade de design às plataformas.

Para uma grande exchange, esse é um resultado positivo. Segundo dados públicos, essa exchange gerou em 2025 cerca de 1,35 bilhão de dólares apenas com receitas de stablecoins, principalmente por meio de parcerias de divisão de lucros com emissores de stablecoins. A nova estrutura da lei de stablecoins permite que eles continuem lucrando nesse segmento, desde que operem em conformidade com as regras.

Por outro lado, o setor bancário não recuou completamente. A nova lei proíbe que as empresas aleguem que stablecoins são “produtos de investimento” ou que possuem “seguro federal de depósito”, sob pena de multas de até 5 milhões de dólares. Mais importante, as autoridades reguladoras devem avaliar em dois anos se a adoção de stablecoins lastreadas em dólar pode levar à perda de depósitos tradicionais, o que deixa espaço para os grupos de lobby bancário reabrirem negociações no futuro.

Atualmente, o Comitê Bancário do Senado ainda não anunciou uma data oficial para a discussão. Mesmo que o projeto de lei de stablecoins seja aprovado pelo comitê, ainda precisará de coordenação com o Comitê de Agricultura do Senado, votação no plenário, e por fim, negociações finais com a versão aprovada na Câmara dos Representantes no ano passado. Todo esse processo, provavelmente, dificultará uma conclusão rápida.

De qualquer forma, o fato de esse acordo ter sido alcançado já demonstra uma coisa: os formuladores de políticas e a indústria nos EUA entraram em uma fase mais pragmática. Não se trata mais de uma simples proibição ou permissão, mas de estabelecer regras claras que permitam um desenvolvimento razoável do setor. Isso é positivo tanto para o avanço da legislação de stablecoins quanto para o crescimento de longo prazo do mercado de criptomoedas.
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